Stevia: revolução doce e silenciosa

É cerca de 200 vezes mais doce do que o açúcar e tem um travo a alcaçuz. Usada como substituto do açúcar, a stevia é uma planta de crescimento rápido que pode prospera no Sul de Espanha.

A Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni é nativa de Amambai, região fronteiriça entre o Brasil e o Paraguai, sendo muitas vezes referida como “a erva-doce do Paraguai”. Existe também noutras regiões do Brasil e da Argentina.

Desde os anos 70 do século XX que os extratos de estévia têm sido amplamente utilizados em diversos países como uma alternativa ao açúcar. O seu cultivo alastrou-se por outras zonas do mundo, tais como o Canadá, Ásia e Europa. O Japão foi o primeiro país do continente asiático a comercializar esteviosídeo como adoçante na indústria dos alimentos e medicamentos. Desde então, o cultivo desta planta difundiu-se por outros países da Ásia.

É cerca de 200 vezes mais doce do que o açúcar e tem um travo a alcaçuz. Usada como substituto do açúcar, a stevia é uma planta de crescimento rápido que pode prospera em Málaga, em Espanha, num clima quase tropical. Sergio Martin dedica-se agora ao cultivo desta planta que é cada vez mais rentável. “Antes plantava tomates, pimentos, cebolas, batatas… mas o futuro desse tipo de agricultura é muito negro. Por isso decidi mudar para outro tipo de agricultura, para a Stevia. Porque é uma planta não sujeita às pragas, fazemos três colheitas por ano. A primeira plantação foi feita há quatro anos e não tivemos de voltar a replantar”, garante o agricultor espanhol.

O composto extraído da Stevia é único, não existe noutros produtos: não tem calorias e pode ser consumido por diabéticos uma vez que não afeta os níveis de insulina. Quando é seca, a planta deve ser fervida para se extrair o composto conhecido por E-960. Em 2010, o professor de botânica da Universidade de Granada, Jose Luis Rosua criou a empresa SteviGran para processar as folhas da planta. “Recebemos vários quilos das folhas secas, depois fervemos para extrair o composto. É claro que depois de ferver ficamos com o produto assim, que não tem a autorização da União Europeia para ser usado. Por isso temos de o purificar. Há várias fases no processo de purificação- micro, ultra e nano filtragem- até chegar ao produto puro como este e só o podemos vender diluído, quando tem 95% de steviol. Também é vendido como stevia pura em pó”, explica o professor.


A SteviGran transforma este pó em pequenas drageias usadas para substituir o açúcar. E está a ganhar cada vez mais adeptos numa altura em que as preocupações com o consumo de calorias cresce. De qualquer forma, nem tudo é perfeito. Alguns chefes de cozinha dizem que não é fácil trabalhar com a stevia porque não se mistura bem com outros ingredientes. Além disso, o travo a alcaçuz não é bom para todas as receitas. Há também nutricionistas que pedem mais estudos sobre os efeitos deste produto nos seres humanos.

O professor José Miguel Mulet, da Universidade Politécnica de Valência garante que ainda há muito pouca informação sobre a stevia: “Já pode ser encontrada em muitos produtos alimentares. Mas é preciso ler os rótulos. Se disser que é feito de stevia não quer dizer contenha stevia, uma vez que a planta não é autorizada. Quais são os problemas da stevia? O problema de consumir stevia em planta é que tem uma atividade farmacológica. Pode provocar infertilidade masculina e queda da pressão sanguínea, em alguns casos pode ser fatal. Outro problema é que a stevia está a ser “vendida” como a cura para a diabetes. Um erro enorme. A stevia não substitui qualquer tratamento para a diabetes. É um adoçante aceitável para os diabéticos porque não aumenta os níveis de insulina, tal como as sacarinas ou o aspartame”.

Na União Europeia, as folhas de stevia não são reconhecidas como produto alimentar e os agricultores não estão autorizados a vender as plantas ou as folhas a ervanárias. Em 2011, Bruxelas legalizou a comercialização do extrato E-960.

Mas na Alemanha, na Bavaria foi conseguido um estatuto de exceção uma vez que ficou provado em tribunal que a planta já era consumida antes das regras comunitárias. Agora os agricultores espanhóis querem o alargamento desta decisão. Leovigildo Martín, presidente da Associação de Agricultores APYCSA afirma que “há muito que é consumida na Europa como alimento tradicional, como o chá ou a camomila. Não é um alimento novo. A União Europeia deveria fechar este dossier autorizando a venda e consumo como o chá ou a camomila”.

Características da Planta

A estévia é uma planta subtropical que, apesar de ser muito resistente à variação das características e tipos de solo, prefere solos húmidos, mas não encharcados, sem grande exigência ao nível da textura (arenosos e argilosos), com teores medianos de matéria orgânica, caracterizados por uma boa permeabilidade e drenagem. Admite uma faixa de pH do solo de 5,5 a 7,5 e também prefere a meia-sombra para o bom desempenho agronómico.

É uma planta de dias curtos que tem flores de janeiro a março no Hemisfério Sul e de setembro a dezembro no Hemisfério Norte, onde as sementes férteis são geralmente de cor escura e as sementes estéreis são geralmente de cor mais clara.

Os solos onde a Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni cresce de forma espontânea apresentam, normalmente, baixa fertilidade e um pH de 4 a 5, alcançando uma altura entre os 0,6 e 0,7 metros. Quando cultivada em solos onde as condições são mais convenientes ao seu desenvolvimento e crescimento, como por exemplo um pH de solo ligeiramente superior e boa drenagem, pode alcançar uma altura de cerca de 1 metro ou até mais.

A stevia pode ser facilmente cultivada como qualquer outra planta, mas o crescimento vegetativo é muito reduzido quando as temperaturas estão abaixo dos 20ºC e a duração do dia é inferior a 12 horas. As temperaturas devem estar entre 15ºC e 30ºC, mais preferencialmente entre os 24ºC e os 28ºC, apesar das plantas de stevia tolerarem e desenvolverem-se a temperaturas de 43ºC, quando acompanhados de chuva ou sistemas de rega. A humidade relativa deve estar compreendida entre os 75-85%.

A cultura de Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni vem demonstrando crescimento significativo na área cultivada, pois tem um potencial relevante, na medida em que possui inúmeros benefícios para a saúde com as suas propriedades medicinais, sendo também aprovada como suplemento dietético pelo “Food and Drug Administration” (FDA). A sua utilização vai muito além da diabetes e obesidade. Possui propriedades hipoglicemiantes, hipotensivas, vasodilatadores, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, antibacterianas, sabor, doçura e aumento da função urinária. Tem ainda a vantagem de não ser viciante, tóxico, carcinogénico, mutagénico, tetrogénico e possuir efeitos genotóxicos.

Apresenta um potencial de rendimento anual, por hectare, de cerca de três ou quatro toneladas de folhas secas em três ou quatro colheitas por ano, com uma concentração de esteviosídeo de 100 mg/g . Para utilizar a produção de estévia em contexto comercial é necessária a sua produção em larga escala.

Fonte: Euronews.

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