Que impacto terá o coronavírus na agricultura?

As 3 principais áreas de impacto irão incluir: os acordos de comércio internacionais, as instalações de processamento de alimentos e o desenvolvimento de altas tecnologias tais como o uso de drones.

Acordos Comerciais

O impacto mais significativo do coronavírus na agricultura está relacionado com o novo acordo comercial entre a China e os Estados Unidos. Este acordo, assinado em janeiro deste ano, declara que a China se compromete a comprar 40 bilhões de dólares de bens (35 mil milhões de euros) em 2020 e 2021. As principais exportações dos Estados Unidos para a China são a carne de aves, l

ticínios e soja.

A curto prazo, os atrasos no processamento e distribuição vão ter um grande impacto na agricultura. Com grande parte da China ainda parada, muitos navios estão à espera nos portos chineses e não podem ser descarregados devido à falta de trabalhadores. As mercadorias de cereais, no entanto, irão provavelmente sentir o maior impacto económico nos próximos meses. Mais de metade da produção de soja nos Estados Unidos é exportada, sendo a China o seu maior comprador.

As restrições às deslocações entre países irão também representar um problema. Não só os três principais portos chineses estão atualmente entupidos com contentores de fruta, vegetais e carne importada, mas também o país está a impedir o transporte de ração para criadores de gado. Esta situação poderá apresentar constragimentos mais à frente, com os agricultores a verem os recursos limitados e reduzido o acesso às provisões necessárias.

Processamento Alimentar

As instalações de processamento alimentar, nomeadamente de carne, são mais susceptíveis a infeções como a do covid-19. O manuseamento da carne crua e a proximidade dos trabalhadores uns com os outros, levará a que muitas operações sofram de uma redução de funcionários devido à quarentena. A suspensão de produção poderá resultar na limitação da disponibilidade destes produtos em alguns países, e no desperdício resultante dos constrangimentos no escoamento.

As restrições de transporte de carne de aves na China conduziram, nos Estados Unidos, à produção de excedentes que não têm destino algum. Pelo facto de a América usar sabão antimicrobiótico clorado em carne de aves, as suas alternativas de venda para outros mercados são limitadas. Por exemplo, a regulamentação da EU bane a importação de carne de aves lavadas em cloro, devido aos efeitos adversos na saúde dos consumidores. Enquanto a administração de Trump tem tentado persuadir o Reino Unido a ajustar as suas regulamentações, estes rejeitaram comprometer os padrões de segurança alimentar.

Equipamento de alta tecnologia

O uso de drones na agricultura está relativamente limitado a nivel global, apesar de empresas de larga escala estarem a investir. Com as interações humanas limitadas devido à ameaça do covid-19, alguns agricultores estão a instalar drones que podem substituir mão-de-obra.

Na China, a empresa de tecnologias agrícolas XAG, criou uma iniciativa de assistência à cadeia de fornecedores, ajudando os agricultores a recuperar de potenciais perdas ou quebra na mão-de-obra. Sendo o principal distribuidor de drones agrícolas, a organização está também envolvida na pulverização de desinfetantes usando esta tecnologia.

O uso de equipamentos de alta tecnologia como drones nos Estados Unidos, poderá seguir um caminho diferente, uma vez que o limitado acesso à internet dificulta a sua implementação. As principais razões para o uso de drones em explorações agrícolas são a pulverização de culturas e a monitorização remota de cabeças de gado, mas estes recursos são inúteis quando não existe uma fonte fiável de internet móvel.



Impactos a longo prazo do coronavírus na agricultura

Enquanto os impactos a longo prazo do coronavírus na agricultura ainda estão por conhecer, é seguro afirmar que a cadeia global de fornecimento alimentar se vai ressentir. Os acordos comerciais entre a China e os Estados Unidos serão postos à prova, à medida que as flutuações na oferta e na procura continuam a ajustar-se. A indústria pecuária poderá sofrer perdas significantivas devido à redução de mão-de-obra nas estações de processamento de alimentos, especialmente no manuseamento de carne crua. Mais, as restrições ao contacto humano p

dem levar ao aumento do uso de equipamentos de alta tecnologia.

Independentemete dos danos futuros do covid-19 na agricultura, o presente impacto testa a resiliência da globalização do comércio de bens alimentares. Num sistema económico com uma interdependência complicada, o vírus pode deixar uma marca permanente na forma como os países avaliam a sua auto-sustentabilidade no longo prazo.

Para garantir a consistência durante tempos turbulentos, os agricultores precisam avaliar dados objetivos por forma a garantir que estão a produzir a uma escala sustentável. A agricultura está a fervilhar com variáveis incontroláveis, como a meteorologia, mas com equipamentos agrícolas de alta tecnologia e software, os agricultores poderão amortecer o impacto do coronavirus.

Artigo por: Agroop[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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