Portugal prevê abrir exportação de carne de suíno para a China em julho

Segundo o Governo, o processo negocial com a China para a abertura do “fluxo de exportações” para aquele país pode ficar “fechado” no início de julho.

Luís Vieira, que anunciou a vinda a Portugal de uma delegação de “alto nível da China” no início de julho, falava na abertura do oitavo Congresso Nacional de Suinicultura, que a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) promove hoje e sexta-feira no Cartaxo, com o lançamento da nova marca de certificação porco.pt em destaque.

A declaração aconteceu depois de o presidente da FPAS, Vítor Menino, ter afirmado que, apesar do anúncio da abertura do mercado chinês, o facto é que ainda ninguém conseguiu exportar para esse país. “A abertura iminente deste mercado representa um novo fôlego para a suinicultura nacional”, afirmou, pedindo que se concretize “a breve trecho”, dada “a natureza estratégica deste mercado para o setor”. Sublinhando que este é um objetivo perseguido “há mais de duas décadas”, Vítor Menino afirmou que “as estimativas de importações chinesas de carne de porco” apontam para as 2,3 mil toneladas em 2017.

“O potencial do mercado chinês é tal que poderia absorver toda a produção nacional”, disse, ressalvando, contudo, que, sendo este mercado “extremamente relevante”, não é o único, havendo “muito por fazer na exportação de carne de porco para outros mercados asiáticos e da América Latina”, alternativas que darão “maior poder negocial” ao setor.

O presidente da FPAS declarou ainda que a exportação “é também um caminho cada vez menos estranho aos produtores de raças autóctones”, que contribuem para a “manutenção e promoção deste património genético”, num “verdadeiro serviço público prestado ao país”, realçando os “produtos de excelência produzidos a partir do porco alentejano, do bísaro e do malhado de Alcobaça”.

Exportação e Internacionalização são prioridade

O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação reafirmou que as exportações e a internacionalização são “estratégicas” para o Governo, sublinhando que os processos negociais são “complexos e morosos”, pois exigem uma atuação de “continuidade, a nível técnico, político e diplomático”.

Elogiando o “bom trabalho” do anterior Governo nesta matéria, Luís Vieira afirmou que, em 2016, foram abertos os mercados do Chile, Colômbia, Marrocos e Panamá para a carne fresca congelada e para produtos à base de carne de suíno, estando atualmente em curso negociações para a abertura dos mercados da China, da Coreia do Sul, da Costa Rica, da Índia, do México, do Vietname e do Peru.

Além das negociações com a República Popular da China, continua o diálogo com a Federação Russa para que, “assim que termine o embargo, se retomem as exportações nacionais” para aquele país, acrescentou.

Doenças dos suínos afetam processos negociais

Luís Vieira afirmou que um dos temas em debate no congresso, as doenças que afetam os suínos, é um dos fatores que afeta a conclusão dos processos negociais. “Se Portugal não conseguir aprovar na União Europeia um programa de erradicação e não melhorar a sua situação sanitária face à doença de Aujeszky, as consequências serão significativas para toda fileira suinícola”, disse, acrescentando que o Governo criou uma comissão de acompanhamento para a monitorização do plano nacional de controlo da doença.

Mais de 400 profissionais do setor, entre produtores suinícolas, profissionais de saúde veterinária, farmacêuticos, representantes dos industriais de alimentos compostos para animais, bem como responsáveis oficiais das entidades regulamentares do setor, participam no congresso, que se propõe “debater os temas mais pertinentes da suinicultura nacional”.

Entre os temas em destaque encontram-se a discussão das “estratégias de desenvolvimento e internacionalização, promoção de raças autóctones, melhoria das práticas de produção e a criação de metodologias de diferenciação da carne de porco pela qualidade”. Na sexta-feira, após o lançamento oficial da identidade gráfica da chancela porco.pt, “que atesta a qualidade desta carne integralmente produzida em Portugal”, acontece “um momento de degustação deste novo produto nacional” na Praça 15 de dezembro, no Cartaxo.

A FPAS sublinha que o setor suinícola contribui com cerca de 560 milhões de euros para o Produto Interno Bruto nacional e emprega, “direta e indiretamente, vários milhares de famílias”.

Fonte: Confagri.

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