Onde e como compra o consumidor os alimentos?

Foi realizado um estudo por um grupo de trabalho constituído por várias associações de consumidores em Espanha, que se centrou nos hábitos de compra e consumo, realizado a mais de 2.000 consumidores, com o objetivo de conhecer melhor o consumidor. Apesar de os inquiridos viverem em Espanha, a realidade aproximada ao mercado português (perda do poder de compra, preço e disponibilidade dos alimentos semelhante, etc), permite tirar também algumas conclusões para o nosso mercado.

No geral, os dados revelam que o consumidor elege as grandes superfícies como o seu lugar de compra habitual, e que a situação económica alterou uma boa parte dos seus hábitos de consumo. Relativamente ao consumo, os dados refletem que os hábitos alimentares não são tão saudáveis como seria de esperar, e que o conhecimento dos consumidores sobre alimentos livres de alergénios, biológicos e/ou transgénicos estão ainda longe de serem sólidos. As principais conclusões do estudo foram:

Supermercados: o local de preferência

A preferência de compra nos supermercados é a primeira quer no meio rural (52%) quer no urbano (66%). O fator idade indica que os mais jovens compram mais nos supermercados e hipermercados. E à medida que a idade aumenta, aumenta também a percentagem de inquiridos que compram em lojas de proximidade, comércio local e mercados municipais. As lojas locais detêm a preferência de 15% das mulheres como lugar de compra principal, reunindo apenas 8% da preferência dos homens. Relativamente a supermercados, os homens superam as mulheres: 28% e 14%, respetivamente.

As Compras do Mês (ou da Semana) via internet, ainda não ultrapassa os 2%

De acordo com as respostas dos consumidores inquiridos, no setor agroalimentar, a “compra regular” através da internet representa apenas 2% dos consumidores. 59% afirma deslocar-se a pé, 35% no seu veículo particular, 4% em transportes públicos e apenas 2% o faz através da internet. O inquérito revela ainda que os homens utilizam mais o veículo próprio para realizar as suas compras e que a grande maioria dos indivíduos com mais de 65 anos vão a pé (79%), muito mais do que os jovens (47%).

Situação económica dos últimos anos alterou hábitos de compra em 75% dos dos consumidores

Fundamentalmente, e por esta ordem, os consumidores hoje procuram mais as promoções (37%), aproveitam mais a comida (23%) e em geral reduziram o gasto em alimentação (10%) ou diversificam a sua compra (6%). Onde menos se detetaram alterações foi nas famílias numerosas, possivelmente pela pouca margem de manobra de que dispõem para reduzir os custos de alimentação, dado que são, normalmente, as que levam as listas de compras melhor planeadas, e que fazem um melhor aproveitamento dos alimentos.

Produtos frescos em detrimento de congelados ou refeições preparadas

Quanto mais jovens são os consumidores, maior é a percentagem dos que optam por produtos congelados (principalmente) e/ou preparados, e menor daqueles que optam por alimentos frescos. O produto mais adquirido pelo consumidor em formato congelado é o peixe. Sendo esta percentagem um pouco maior no âmbito urbano em comparação com o rural, com 26 e 23%, respetivamente.

Maioria dos consumidores compra produtos frescos ao peso

Existe bastante equilíbrio entre os que preferem pedir ao vendedor o que necessitam (40%) e os que preferem escolher eles mesmos (também 40%). 19% dos inquiridos compra normalmente alimentos frescos adquirindo as embalagens preparadas pelo estabelecimento, ainda que, destes, 7% o façam por falta de tempo, admitindo preferir comprá-los ao peso. Fatores como a disponibilidade de tempo ou a comodidade na hora de efetuar a compra podem explicar as diferenças encontradas nos diferentes âmbitos, idades e outras variáveis.

Quase 20% dos consumidores optam por produtos livres de alergénios

Seja por questões de saúde (8%) ou porque os consideram mais saudáveis (11%). Fatores como o novo regulamento de rotulagem, onde é obrigatória a menção destes, as dietas ou as modas, fazem com que o consumo destes produtos cresça.

A maioria dos consumidores (46%) não consome produtos biológicos devido ao preço

Para além disso, 24% dos inquiridos desconhece o que são produtos biológicos, sendo este desconhecimento maior no meio rural, cerca de 30%, contra 23% no âmbito urbano.

Desconfiança com produtos transgénicos

Existe uma grande desconfiança dos consumidores na hora de adquirir produtos transgénicos, 36% desconfia destes produtos, 11% afirma não existir informação suficiente relativamente a efeitos futuros nos humanos e 34% não sabe/não contesta, o que reflete um desconhecimento ainda significativo por parte dos consumidores sobre estes alimentos.

Compram alimentos perecíveis 2 a 3 vezes por semana

E alimentos não perecíveis uma vez. No estudo, detetou-se também que quanto maior idade, maior é o número de visitas aos estabelecimentos (menor compra por visita, maior disponibilidade de tempo para as compras, etc.) e que o número de visitas por estabelecimento reduz-se à medida que cresce a unidade familiar (melhor planificação e menor possibilidade de compra por impulso são fatores determinantes).

Embalagens com o tamanho certo

Mas os consumidores não acreditam que este aspeto influencie de forma relevante a sua frequência de compra… Na maioria dos produtos abordados no inquérito, o consumidor considera, no geral, que o tamanho das embalagens é o adequado. Não obstante, é importante realçar que aproximadamente 20% considera-os demasiado grandes ou demasiado pequenos.

Hábitos alimentares pouco saudáveis

Os resultados do estudo refletem alguns hábitos alimentares pouco saudáveis, contudo, nas zonas rurais, a alimentação é mais equilibrada do que nos meios urbanos, tendo um maior consumo de peixe e legumes e um menor consumo de alimentos industrializados, bebidas alcoólicas e refrigerantes. São encontradas diferenças significativas entre homens e mulheres e por idade, sendo os mais jovens, os que têm piores hábitos, pelo que se pode concluir que se faça necessário incutir nos mais jovens a importância de uma alimentação saudável.

Comer é em casa!

Menos de uma quarta parte dos consumidores alimentam-se fora de casa. No meio urbano, a frequência do consumo fora de casa é maior do que no meio rural.

Fonte: Agrodigital.

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