O que o Brexit pode significar para o mercado britânico hortofrutícola fresco?

O Reino Unido vai hoje a votos para saber se continua, ou não, como membro da União Europeia. Após o homicídio da deputada do Partido Trabalhista, Jo Cox, as sondagens indiciam que a vitória será da continuidade. O “Brexit” perdeu 13 pontos percentuais nos últimos dias e a libra sofreu a maior valorização relativamente ao dólar desde 2008.

O que pode então mudar este referendo, mesmo com a vitória da continuidade? Importadores, exportadores e produtores do Reino Unido estão, na sua maioria, do lado da continuidade, mas apontam para a necessidade de reformas e mudanças no atual modelo. Ian Reid, da consultora Red Fox, afirma que, se o Brexit avançar, as pessoas ficarão relutantes para contratar novos colaboradores, e irão apertar os cintos até a poeira assentar. Mas não acredita que seja possível o governo britânico “rasgar” repentinamente os acordos laborais com a UE, e que tal seria “desastroso para o setor industrial e agrícola”.

Peter Davies, um “trader” do setor hortofrutícola britânico, da Davisworldwide, não acredita em mudanças no curto prazo: “se o Reino Unido votar para abandonar a Europa, será um longo processo, que levará anos e, provavelmente, acabará numa situação semelhante à da Noruega”, rejeitando também qualquer ideia de que a livre circulação para trabalho dos cidadãos europeus seja afetada.

Do ponto de vista de um Exportador de citrinos para o Reino Unido, apesar de uma saída da UE trazer um variado e complexo conjunto de repercussões, este acontecimento pode ser positivo: “Atualmente, o Reino Unido é regulado por regras de produção e proteção fitossanitária da UE e, como resultado disso, a exportação de citrinos para aquele país é muito restrita, apesar de não existir um único hectare plantado no Reino Unido. Então, não existe esse risco fitossanitário. Saindo da UE, creio que o Reino Unido fosse rever este ponto, o que seria positivo para os países produtores de citrinos do hemisfério sul”, afirma o CEO da Associação de Produtores de Citrinos da África do Sul, Justin Chadwick. Outros exportadores sul africanos afirmam que a única preocupação é uma libra instável.

Para os exportadores holandeses, uma saída do Reino Unido também não seria um cenário muito negro, ressalvando que a libra iria desvalorizar, fazendo subir os preços dos produtos importados dentro do Reino Unido e que seria necessário fazer um novo tratado comercial para esta “segunda Noruega”, afirma Johan Vrijland, da JNV Produce.

Apesar do tumulto na Comunicação Social, os agentes profissionais do setor hortofrutícola que interagem diretamente com o Reino Unido, não parecem estar verdadeiramente preocupados com o resultado do referendo. Nos próximos tempos, poderemos constatar o verdadeiro impacto deste referendo no mercado britânico e europeu.

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