Mercado Europeu hortofrutícola: produtos biológicos com procura crescente

A Fundación ExportAr, da Argentina, publicou um relatório sobre o setor das frutas e legumes europeu que aborda as tendências, procura, concorrência, exigências e canais de distribuição

De acordo com o relatório, as cadeias de distribuição dominam o mercado das frutas e legumes, caracterizado por uma significativa concorrência pelo preço, onde a presença de produtos de nicho e preocupações com a sustentabilidade por parte do consumidor estão, por outro lado, a registar uma subida. O veto russo tem também ele gerado muita influência no mercado europeu.

Mercado em mudança

Uma das tendências observadas na alteração do mercado, tem especial incidência no Nordeste da Europa, onde os produtos biológicos, os super-alimentos e os produtos exóticos estão a ganhar enorme popularidade. Para além disso, os consumidores preferem conveniência quando estão a comprar alimentos (pequenas embalagens, comércio eletrónico e frutas e legumes pré-preparados), e estão a ficar cada vez mais alarmados para as questões de segurança alimentar e responsabilidade social, pelo que exigem cada vez mais práticas sustentáveis. O relatório adianta ainda que o mercado europeu é também influenciado pela liberdade de proibição de cultivo de OGM pelos Estados Membros da UE. O veto russo aos produtos europeus, introduzido em agosto de 2014, resultou no desaparecimento de um mercado inteiro e levou à queda dos preços. A Europa viu-se obrigada politicamente a abrir novos mercados de exportação e a promover o consumo de produtos agrícolas locais.

Importação, Exportação e Consumo

Antes da crise, as importações desfrutaram de estabilidade (até 2012) e, recentemente, registaram-se alguns sinais de recuperação. Produtos exóticos e fora de época dominaram as importações. A popularidade dos produtos tropicais (como as mangas e o abacate) e produtos de nicho (como os frutos exóticos ou os pequenos frutos) estão em crescimento. As bananas são o fruto mais importado, seguido do ananás, da laranja e da uva.

Quanto às exportações, em 2014, a Europa exportou €18,700 milhões de euros de fruta fresca e €14,000 milhões de euros de vegetais frescos. Mais de 80% das exportações europeias têm como destino outros países europeus. A Espanha é o maior exportador de fruta fresca, com um volume de quase 7.2 milhões de toneladas. Quase metade de todas as expedições da Holanda são frutos reexportados, especialmente exóticos. Os destinos mais importantes são a Alemanha, o Reino Unido e a França

Em 2013, a UE produziu 66.8 milhões de toneladas de fruta fresca e cerca de 114 milhões de vegetais frescos, onde cerca de metade correspondeu à produção de batata. A produção de vegetais do Velho Continente tem vindo a decrescer na última década. Condições climáticas adversas têm tido consequências negativas na produção anual.

As taxas de consumo mais elevadas de frutas e vegetais são no Sul e Leste da Europe, mas ainda assim abaixo dos níveis recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Isto levou à iniciativa para promoção do consumo de frutos e vegetais, que estão gradualmente a assumir-se como uma alternativa saudável aos snacks.


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Concorrência pelo Preço

Segundo o relatório da fundação argentina, conseguir acesso ao mercado europeu não é fácil, devido às estritas regulações da UE no embalamento, marca, calibre, uso de pesticidas, etc. Para além disso, o preço é o fator mais importante na conquista do mercado: os consumidores tendem a comprar o mesmo produto vezes repedidas e poucas empresas dominam o mercado. No geral, existem muitos fornecedores e os consumidores têm muita escolha, pelo que é imperativo optar pela diferenciação, oferecendo maior valor, qualidade, sabor ou sustentabilidade. A concorrência não é tão intensa nos produtos de nicho, mas a tendência está a mudar e é expectável que estes mercados desempenhem um papel mais importante no futuro.

A UE oferece muitas oportunidades de negócios para exportação nos Estados Membros, e muitos países externos assinaram tratados de comércio-livre.

Supremacia da Distribuição

Os importadores desempenham um papel fundamental no mercado europeu. A maioria dos produtos frescos dos países emergentes são referenciados via importadores pela Distribuição, agindo como intermediários entre produtores e grandes distribuidores. As cadeias de distribuição dominam a venda de frutas e legumes, com quotas de mercado superiores a 60%, em detrimento dos negócios locais e tradicionais, que caíram cerca de 10% na maioria dos países. A sobrevivência dos pequenos retalhistas está ameaçada devido à concorrência pelo preço e à sua crescente falta de vantagens competitivas.

Novos conceitos como o e-commerce e lojas de alimentação biológica encontraram mercado, especialmente no Norte da Europa.

Fonte: FreshPlaza.

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