Inseticidas prejudiciais às abelhas podem ser restringidos em 2018

A Comissão Europeia pretende restringir no espaço comunitário o uso de alguns inseticidas prejudiciais às abelhas, a partir de 2018. A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza concorda e pede ao Governo português para votar favoravelmente esta proposta.

Concretamente, a Comissão propõe a restrição dos neonicotinóides, inseticidas de largo espectro, que são usados na prevenção, controlo e tratamento de várias culturas agrícolas contra organismos considerados prejudiciais. A proposta a ser apresentada aos Estados-membros terá como objetivo a proteção das abelhas e dos serviços ambientais que estas prestam, e será baseada na avaliação de risco sobre pesticidas publicada no ano passado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar.

A proposta provisória da Comissão Europeia deverá ser apresentada até ao início do Verão e ser depois alvo de um período de discussão e de contributos por parte dos diversos Estados-membros, até se chegar a uma versão final nos meses seguintes. Caso a proposta seja aprovada dentro deste calendário, entrará em vigor até ao início de 2018.

“A Quercus vem saudar a Comissão Europeia pela proposta de restringir no espaço comunitário o uso de alguns inseticidas prejudiciais às abelhas, em concreto os neonicotinóides, e espera que exista força política suficiente para levar por diante esta proposta, enfrentando as muitas pressões da indústria e dos fabricantes de pesticidas. A Quercus é da opinião que já existem evidências suficientes que comprovam os impactes negativos dos neonicotinóides nos insetos polinizadores, e que não deve existir margem de recuo relativamente à sua proibição”, diz um comunicado da associação.

Aqueles ambientalistas realçam que Portugal, que em 2013 demonstrou uma “posição muito débil relativamente a este assunto ao votar contra a proibição de três neonicotinóides muito tóxicos para as abelhas, terá agora a oportunidade de se redimir e mostrar que pretende realmente proteger o Ambiente, a apicultura e a saúde humana”. A Quercus apela “ao Governo Português para que apoie, sem restrições, a proposta que irá ser apresentada pela Comissão Europeia e, nesse sentido, vote a favor da restrição no espaço comunitário do uso de neonicotinóides”.

Colapso das colónias

O colapso das colónias de abelhas nos últimos anos tem causado significativas baixas nos efetivos dos apicultores em todo o Mundo e é um dos grandes problemas da atualidade, com reflexos muito significativos no ambiente e na atividade agrícola. Estima-se que pelo menos 80% das culturas agrícolas mundiais necessitem de polinização para dar semente e só na Europa o valor anual estimado dos polinizadores é de 22.000 milhões de euros.

Para além de outros problemas com que as abelhas se deparam atualmente, tais como a varroa, a vespa asiática e a loque americana, os neonicotinóides continuam a ser motivo de grande preocupação para os apicultores. Deste modo, têm sido desenvolvidos vários estudos científicos no sentido de comprovar que o colapso das colónias de abelhas, está também relacionado com a aplicação destes inseticidas.

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, existem três neonicotinóides com elevado risco de toxicidade para as abelhas.

Fonte: revista Agricultura e Mar.

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