E-Commerce: inovação e qualidade são vitais na venda de produtos frescos

À medida que o mercado canaliza as suas atenções para a venda de produtos online, os fornecedores terão que se adaptar a um novo paradigma para alcançarem o sucesso. Retalhistas de todo o mundo discutiram, na PMA Fruittrade, no Chile, o que produtores e exportadores precisam de fazer diferente nestes tempos de mudança no comércio eletrónico.

Os representantes da distribuição da Holanda, E.U.A. e Brasil presentes no evento, afirmaram que, aquilo qu determina o sucesso da venda dos produtos em pontos de venda físicos não pode ser literalmente “transferido” para a internet.

“O mais desafiante para nós é que a nossa experiência na venda em loja é tão forte, que é um desafio para todos nós dizer “vamos para o online”. Estamos tão focados no fresco e na experiência sensorial que, quando as pessoas entram nos nossos espaços, sentem-se inspiradas. Para mim, é difícil ser inspirado por uma app ou online”, afirmou Paul Kneeland, da Ahold dos E.U.A.

É uma mudança que implica uma luta, mas a empresa está a tentar tirar partido da tendência crescente do online enquanto estuda formas de envolver os consumidores jovens e encaixar-se nas suas rotinas.

“Para a nossa marca se focar essencialmente nos ´millenials´, estamos a desenvolver uma app na qual é possível encomendar o que quer que seja da loja”, afirmou Kneeland.

“Os ´millennials´ são utilizadores da Uber (empresa internacional de transportes), então nós estamos seriamente a considerar a Uber para fazer as nossas entregas. O Co-branding faz sentido na nossa estratégia.  

Na sucursal holandesa do grupo, a experiência na venda online é maior, estando agora a atravessar um período de crescimento: “Nós temos vendas online há bastante tempo, mas nos últimos 5 o crescimento foi tremendo”, assegura o Diretor da Ahold Hoçanda, Ge Happe.

“As vendas online de frutas e legumes estão a crescer ao mesmo ritmo do que crescem nas lojas, o que nos surpreendeu.”

Apesar de nos EUA e Holanda o número de vendas online estar em crescimento para a Ahold, o mesmo não pode ser dito para o caso brasileiro da Oba Hortifruti.

“Tivemos uma experiência no passado, mas a venda de produtos frescos online foi dececionante”, afirmou o Diretor Comercial da Oba, Francisco Homsi.

Contudo, Francisco ressalva que as vendas diretas não são, de todo, o único propósito da internet.

“Decidimos recuar nas vendas online e optar por uma abordagem diferente. Desde logo, estamos muito presentes nas redes sociais, informando e chamando pessoas para as lojas”, afirmou.

“É uma forma fantástica de interagir com os nossos clientes porque recebemos feedback 24 horas por dia. Esta é uma operação gigantesca, porque estamos a acompanhar e responder às pessoas de forma permanente também”.

O que é que os fornecedores podem fazer?

Os três responsáveis comerciais estão de acordo no facto de os frutos e legumes vendidos através da internet necessitarem de um foco especial, através de certos canais, para atrair consumidores e construir uma importante relação de confiança.

Ge Happe destacou que, apesar dos compradores online comprarem sensivelmente a mesma quantidade do que em loja, as suas exigências são maiores.

Eles são extremamente exigentes acerca da qualidade e disponibilidade. Principalmente a qualidade tem que ser fantástica, porque o cliente não está na loja e não tem tanta facilidade em aceder a uma alternativa”, afirmou.

O responsável afirmou ainda que os produtos inovadores tendem a obter um desempenho particularmente bom na internet, local onde as pessoas procuram regularmente por algo novo.

Kneeland desafiou os fornecedores a “pensarem totalmente diferente” quando vendem os seus produtos online, encorajando-os a pensar mais além do facto de serem produtores.

“Como pode potenciar o negócio online? Pode enviar produtos do armazém ou terreno diretamente para os consumidores? Consegue obter um esforço coordenado com os vendedores de forma a fazer chegar o produto fresco rapidamente ao consumidor?”, questionou Kneeland.

O aumento da responsabilidade é outro peso acrescido na venda online, segundo Ge Happe: “Quando as pessoas vêm os produtos na nossa loja, têm a oportunidade de escolher algo, à sua responsabilidade. Quando passamos para o online, a responsabilidade passa a ser do vendedor”.

0 visualização0 comentário

©2021 - Root. All Rights Reserved. Designed & Developed by Broono

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn