Adega de Palmela investe €2 milhões para modernizar produção

Após 60 anos de existência, a Adega de Palmela aposta agora na internacionalização e no reforço da competitividade, avançando com um investimento de dois milhões de euros para modernizar a produção.

O enólogo e gerente da empresa Luís Silva explica que o investimento vai ser feito em duas fases, uma direcionada para a vinificação, ou seja, os processos que garantem a transformação das uvas em vinho, e outra para o engarrafamento.

«O nosso primeiro investimento foi no aconselhamento dos nossos associados, a nível de plantação de novas vinhas, com castas diferentes, para fazermos produtos diferentes, e na melhoria do desempenho a nível da vinificação», adiantou o gestor.

A segunda parte do investimento, que deve ficar concluída no próximo ano, vai absorver aproximadamente um milhão de euros, e é direcionada para o engarrafamento, com uma nova linha automática de seis mil garrafas/hora (quase o dobro da atual).

A Adega de Palmela recebe uma média de 10 milhões de quilos de uva dos seus 300 associados e fatura cerca de cinco a seis milhões de euros por ano. As grandes superfícies são os principais clientes, comprando cerca de 80% da produção. No entanto, a empresa decidiu também apostar no canal HORECA (hotéis, restaurantes e cafés) criando um produto exclusivo, pois é quando o consumidor está fora de casa que “está mais disponível para apreciar um bom vinho”.

Próximo objetivo: aumentar exportações

«Ainda há pouco tempo, o principal objetivo da Adega era a venda de vinho a granel. Depois passámos para o engarrafado e, de seguida, para a exportação», declarou Luís Silva. As vendas externas representam atualmente cerca de 10% da faturação, mas o enólogo admite que a Adega de Palmela está ainda aquém do seu potencial e quer atingir valores mais altos.

«Temos quantidade, temos preço e temos qualidade para poder satisfazer» os mercados internacionais, assegurou. China e França são atualmente os destinos com maior expressão para os vinhos da Adega de Palmela, mas Luís Silva está atento a novas oportunidades.

«Os mercados estão muito saturados. Toda a gente quer exportar, toda a gente quer estar lá fora, e há oscilações nos mercados. Infelizmente, tínhamos um mercado que dava preferência a produtos portugueses, que era o mercado angolano, e hoje está mau, houve desinvestimento e, portanto, temos de procurar outras soluções», salientou. Nos mil hectares de vinha pertencentes aos associados da cooperativa, destacam-se as castas tintas (70% do total), com ênfase para a Castelão, característica desta zona.

Entre as castas brancas, predominam Fernão Pires e Moscatel, do qual 5% é destinado à produção do vinho licoroso que é ‘ex-libris’ da região. «A nossa região é conhecida pelo Moscatel de Setúbal, por isso, é uma casta muito importante para nós, em termos de brancos e licorosos», sublinhou Luís Silva, acrescentando que são produzidos cerca de 350 mil litros de Moscatel por ano.

O enólogo quer manter também a dominância do Castelão nas castas tintas, mas realçou a importância da diversidade «para poder melhorar e dar complexidade às castas tradicionais». Castas como o Syrah, o Alicante, o Aragonez, o Verdelho ou o Chardonnay podem dar «uma mais-valia à qualidade dos vinhos», acrescentou o responsável da Adega de Palmela.

Fonte: Lusa/Agronegócios.eu

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